Vôlei Praia

Alison: "Sempre quis jogar três olimpíadas"

Dono de um ouro e uma prata, Mamute supera quarentena, mira sonho de criança e vai em busca de mais um pódio em Tóquio

16/09/2020 15:18 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Alison comemora ponto no Circuito Mundial. Foto: Divulgação/FIVB
Alison Conte Cerutti é, sem dúvidas, um dos ícones do voleibol de praia mundial. Dono de uma medalha de prata, conquistada ao lado de Emanuel, e de uma medalha de ouro, junto com Bruno Schmidt, na Rio 2016, poderia ter se acomodado com o sucesso já conquistado. Após uma temporada conturbada, onde teve que se reinventar, ao lado de Álvaro Filho, para conquistar a tão almejada classificação para sua terceira olimpíada, e por ter vivido e conhecido de perto os perigos da pandemia do novo coronavírus, o Mamute segue empolgado para cumprir a meta traçada por ele quando ainda era um menino.

“Quando eu era menino, fiz umas contas na minha cabeça. Joguei a primeira olimpíada com 25 para 26 anos, a segunda com 30 para 31 anos e a terceira com 34 para 35. Eu nunca me vi jogando como Ricardo e Emanuel, com essa longevidade impressionante. Não tenho nem físico para isso. Mas sempre quis jogar três olimpíadas. Se eu iria conseguir, não sabia. Mas eu consegui. Sempre tive essa vontade e esse querer me fez acreditar muito”.


Na temporada 2019/2020, Mamute viveu momentos inéditos na carreira. Firmou parceria com André, mas acabou mudando novamente de dupla. Para seguir vivo na corrida olímpica, chamou Álvaro Filho começou o trabalho do zero e conseguiu o objetivo. 

“Essa foi uma temporada atípica para todo mundo, os times mudaram, a gente mudou novamente, já com a corrida olímpica em andamento. Para mim, em especial, foi ainda mais difícil. Jogamos country quota, não tivemos tempo de nos conhecer e isso trouxe um pouco de ansiedade e medo. Nossa vontade foi maior do que a concentração e de todos os ciclos que eu tive, e esse foi o terceiro, sem dúvida nenhuma foi o mais diferente e difícil”, analisou Alison, que testou positivo para o covid 19, assim como seu parceiro, mas consegue enxergar um ganho com a paralisação do vôlei devido à pandemia.

“Colocou todo mundo no mesmo nível, um nível muito abaixo do que as duplas de alto nível estão acostumadas. Treinos interrompidos, etapas suspensas, vida, rotina, dia a dia de isolamento social e de um desgaste mental enorme. Todos estão recomeçando, todos pararam e estão numa situação semelhante. Agora, claro, ter esse ano a mais de preparação, já com a vaga olímpica garantida, nos dá mais tranquilidade para treinar e trabalhar. Como disse, passamos por um período de muita pressão pelo fato de termos pouquíssimo tempo para lutar pela vaga para Tóquio. Agora é montar o planejamento, focar nessa preparação e chegar bem nas competições, ganhando ritmo para as Olimpíadas”.


Nenhum outro ciclo olímpico foi tão exigente com os atletas. Apesar de todas as restrições e dificuldades enfrentadas no período de isolamento, Alison lembra do quanto precisou se aprimorar enquanto ainda entrava em quadra, na última temporada, brigando para realizar o sonho de disputar mais uma olimpíada. Mesmo sendo campeão olímpico e o mais experiente da sua dupla, se colocou novamente na posição de aprendiz e não se arrepende.

“Em 2012 com o Emanuel, foi um ciclo de maturação. Depois, com o Bruno, já estava mais preparado. Agora, com o Álvaro, a maturação foi já dentro do Circuito Mundial, entrando na corrida com três times muito fortes na frente. Foi uma temporada muito difícil, mas em que aprendi demais. Uma evolução de postura, de saber escutar mais. A gente não se conhecia, então aos poucos fomos aprendendo como cada um joga, quando falar e como falar. Fui entendendo como ele joga, o que ele gosta de fazer, mas tudo isso já dentro do Circuito Mundial. A gente precisou achar esse caminho já na prática. Muitas vezes começávamos de um jeito e terminávamos de outro. Dava errado no meio do set e a gente trocava”.


Na próxima semana, Alison viverá mais uma nova experiência. Ele, assim como as demais duplas de ponta do vôlei de praia brasileiro, disputará a primeira etapa da temporada 20/21 do Circuito Brasileiro Open, na ‘bolha’ do Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ), e espera que conseguir se adaptar ao ‘novo normal’ e aos protocolos de segurança o quanto antes.

“Estamos felizes com o retorno aos treinos, com o reinício dos campeonatos. Será diferente, estamos vivendo dias diferentes, difíceis, que exigem uma nova rotina. Não sei como será, ninguém sabe. Por mais que a gente tente imaginar como vai ser, por conta dos protocolos de segurança, de saúde, pela ausência de torcida, pelo fato de não estarmos com aquela arena lotada, com a atmosfera especial, que é a cara do vôlei de praia, não dá. É bom voltar a jogar, claro. Precisa ser assim, pois vivemos uma pandemia e é preciso respeitar, entender esse momento”, disse o campeão olímpico, engrossando o coro de todo o mundo por uma solução definitiva.

“Espero e torço para que descubram a vacina, que seja acessível para todos e eficaz, para que possamos voltar a ter uma vida normal”.


Depois de todo aprendizado conquistado por anos e anos nas arenas do mundo todo, principalmente na última corrida olímpica, Alison sabe que o favoritismo que um ouro olímpico proporciona não garante uma nova conquista. E espera poder servir de base, de apoio para que ele e seu parceiro se divirtam em quadra.

“Acredito muito em equipe e em trabalho duro. O que a gente faz hoje se reflete amanhã. Eu gosto muito do que faço e por isso tenho brilho nos olhos. Já joguei com um campeão olímpico e eu nem sabia o que falar para o Emanuel naquela época. O Álvaro jogou com o Ricardo também e ele tem que se divertir sempre. Quanto mais a gente se divertir em quadra, melhor será para a gente. Ele vai ter condição de jogar outras olimpíadas depois, então tem que se divertir mesmo. Ele é um pequeno gigante, que merece os resultados que vem tendo”, encerrou Alison.

Fotos: Divulgação CBV e FIVB

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