Vôlei Praia

Coisa de mãe: o segredo por trás de Duda, fenômeno do vôlei de praia brasileiro

Ex-jogadora, Cida revela detalhes da trajetória meteórica da filha, eleita a melhor do mundo pelo segundo ano consecutivo

12/06/2020 14:04 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Eleita por dois anos consecutivos como a melhor jogadora do mundo de vôlei de praia, campeã do Circuito Mundial, tricampeã mundial sub-19, bicampeã mundial sub-21, campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude, campeã de etapas do Circuito Mundial e do Circuito Brasileiro, Duda Lisboa tem uma carreira que fala por si só. Todos os títulos já seriam surpreendentes para qualquer atleta de alto nível, mas se torna ainda mais admirável quando lembramos que ela nasceu em agosto de 1998.

Se a carreira precoce gera dúvidas sobre a pressão em cima de Duda, que foi campeã mundial sub-19 com apenas 14 anos, todas são dissipadas quando são revelados os detalhes do planejamento feito por trás da carreira desse fenômeno do vôlei de praia. E a responsável por isso é ninguém menos que a mãe da prodígio, Cida Lisboa. Foi ela que percebeu que a filha mostrava algo diferente quando tinha apenas 10 anos e que esteve ao seu lado todo esse tempo.

“Eu era atleta e sempre levava Duda para os torneios comigo. E a minha meta era que assim que eu me formasse, eu iria parar de jogar. E com 40 anos eu me formei. Entre faculdade e as etapas, criei meu centro de treinamento, lá em São Cristovão, interior de Sergipe. E a Duda sempre esteve inserida neste centro. Com isso, naturalmente, começou a bater bola. E eu fui começando a perceber que ela era diferente, que conseguia fazer coisas com uma naturalidade que as outras crianças não tinham. Eu costumava brincar, enquanto ainda jogava, que Duda seria minha aposentadoria”.
 

Ciente das dificuldades e do nível de dedicação que um atleta profissional precisa ter, Cida garantiu que Duda não se sentisse obrigada a nada, nem a avançar nos treinamentos antes da hora. Mas não seria apenas os olhos de mãe que ficariam impressionados com a habilidade da menina.

“Eu vi que ela tinha algo diferente, mas nunca fiz nenhum tipo de pressão. Com 11 para 12 anos comecei a treinar ela em separado, até porque ela se desenvolvia mais rápido. Aos 13, a levei para um torneio sub-19, em João Pessoa. E por coincidência o pessoal da CBV também foi para o campeonato. Eles viram também que ela já era uma menina habilidosa. Eu sempre tive muito cuidado, não a deixava saltar nos treinos, porque sabia que ela ainda não tinha a condição física das crianças mais velhas, e ela foi desenvolvendo outras habilidades. Ensinava ela a dar croque, a ter as jogadas, mas sempre com o pé no chão. Eles se encantaram com o jogo dela e a convocaram para a seleção. E dali ela nunca mais saiu”.
 

A felicidade pela convocação se dividiu com o sentimento maternal. Cida sabia que a filha passaria a viajar muito e passar longos períodos longe de casa. Mas as vitórias vieram logo e aplacaram o aperto no peito.

“Quando ela foi convocada pela primeira vez, senti uma mistura de sentimentos. Estava imensamente feliz, mas ao mesmo tempo sabia que passaria mais tempo longe de mim do que perto. E foi assim mesmo. Com 13 anos ela viajou pela primeira vez para Moçambique, para um evento exibição, e depois ela já disputou o primeiro sub-19. Foi uma angústia muito grande, mas elas foram e ficaram na quinta colocação. E com o tempo ela foi se destacando. Com 14 anos disputou o mundial sub-19 e foi campeã, jogando com a Tainá. Até hoje é a atleta mais nova a vencer o Mundial”.

Apesar do sucesso imediato, das longas viagens e das vitórias, Cida sempre fez questão de acompanhar tudo de perto, garantindo valores e princípios e passando também sua experiência de ex-atleta.

“Nessa época, ela jogava os campeonatos com a seleção e voltava para Sergipe para treinar comigo. E foi se desenvolvendo. Sempre fiz questão de estar perto. Fui desse meio e sabia como era o dia a dia. Passei muito a minha experiência e fiz questão de que ela crescesse na simplicidade, sem se iludir com as conquistas. Ela faz tudo por amor. Claro que o dinheiro é bom, mas ela joga por amor, por coração. E sempre tem a meta de bater recordes. Ela quer bater recordes”, revela Cida.
 

E se a filha seguia um caminho que prometia ser vitorioso, ela também passou a alçar voo solo. Mas sem deixar de estar presente no desenvolvimento da carreira de Duda, que teve um salto em 2016.

“Com 15 anos ela começou a disputar o circuito brasileiro, comigo como técnica. No ano seguinte, fui chamada para ser técnica da seleção brasileira de base e comecei a seguir meu caminho como treinadora também, em paralelo. Em 2016 recebemos a proposta da Ágatha, e foi uma mistura de sentimentos. Foi um susto, uma alegria sem tamanho, mas também fiquei com o coração apertado. Imaginar uma menina do interior de Sergipe ir morar no Rio de Janeiro, filha única. Fiquei sem dormir vários dias, mas sabia que era necessário e que seria muito bom. Ela iria jogar com uma vice-campeã olímpica e uma pessoa muito experiente. A gente sabia que era um degrau necessário”.

Apesar da pouca idade, Duda mostrou maturidade para se estabelecer no Rio de Janeiro. Contou, claro, com a ajuda de Cida, mas se adaptou e firmou-se como um dos principais nomes do vôlei de praia mundial. Mas para a corrida olímpica, era preciso um reforço. E a mãe entrou em quadra novamente.

“Quando ela se mudou para o Rio, fiquei um mês com ela, ajeitando tudo. O início foi difícil, mas ela foi se adaptando a nova rotina. Em 2019, com o início da corrida olímpica, decidi sair da seleção brasileira para me dedicar à Duda como mãe. Ela precisava de mim como mãe”.
 
 
Muito esperado, o ano de 2020 acabou não sendo como o planejado por Duda e Cida. Com a pandemia do novo Coronavírus, as competições foram canceladas e adiadas, inclusive os Jogos Olímpicos de Tóquio. Os treinamentos também foram suspensos, mas sempre há o que se tirar de bom de um momento de dificuldade: mãe e filha estão juntas em casa, como não estavam há muito tempo.

“Realmente é um momento muito difícil. Essa pandemia veio em um momento ruim e a única coisa boa é que estou junto da minha filha. Não é por um bom motivo, mas a gente está mais junta e unida. Depois que ela começou a jogar, nunca tínhamos ficado tanto tempo juntas. Decidimos que ela voltaria para casa e não esperávamos que fosse durar tanto tempo. Mas estamos enfrentando bem. A rotina da Duda não mudou muito. Ela continua treinando com bola, porque aqui temos quadra e academia particular. Voltei a dar treino para ela, porque desde 2017 que eu não dava e estamos nos ajudando. Eu ajudo dando treino e ela me dá força para tentar emagrecer. Voltei a fazer atividade física, porque preciso acompanha-la na academia, e estou seguindo a alimentação dela, que é muito focada. Mas o que mais queremos é ter a nossa rotina de volta, ir para os campeonatos e tocar a nossa vida”, encerrou.

Fotos: Aquivo pessoal e FIVB

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