Vôlei Praia

Seguindo teoria do copo cheio, Ágatha usa quarentena para evoluir

Vice-campeã olímpica espera retomar preparação para Jogos de Tóquio com ainda mais entusiasmo

12/06/2020 09:41 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Ágatha representará o Brasil em Tóquio. Crédito: FIVB
Enxergar o positivo até nos momentos mais difíceis. Essa tem sido a maneira como a vice-campeã olímpica Ágatha tem encarado sua vida. Não só ao longo do isolamento, provocado pela pandemia do novo coronavírus, mas já há alguns anos, aproveitando-se da experiência adquirida nas praias de todo mundo. Prestes a completar 37 primaveras, no próximo dia 22, ela espera tirar desse momento inesperado e complicado bons aprendizados para buscar a glória olímpica em Tóquio, ao lado da parceira Duda.

Durante os três anos em que atuaram juntas, desde 2016, as parceiras só pensam nas Olimpíadas. E mesmo com o adiamento da disputa em 2020, mantém o foco para quando for possível a disputa. A classificação já veio, ano passado.

“Quando a notícia do adiamento veio oficialmente, a gente já estava esperando. Era uma consequência natural. Sabíamos que a preparação seria prejudicada, mesmo que naquela época nosso cenário ainda era melhor que o da Europa e Ásia. Mas sabíamos que chegaria aqui. Eu tenho o hábito de ver o copo meio cheio. Então decidi procurar o que podíamos ganhar com esse adiamento, como poderíamos evoluir e crescer como time”, explicou Ágatha.
 

Voltando na linha do tempo, a vice-campeã olímpica lembra como foi o início da corrida olímpica, logo após ter disputado o título no Rio de Janeiro. Ali começava um novo desafio, cercado de expectativa, ao lado de uma, literalmente, nova parceira.

“O nome da Duda foi natural. Ela era a pedra preciosa e já estava mostrando que era um talento que tinha vindo para ficar. A partir da conquista da medalha de prata, em 2016, vivi um boom de felicidade. Foram cinco anos trabalhando por aquele momento. Minha vontade foi curtir aquilo tudo. Passei 20 dias, visitei família, dei entrevista, participei de programas e fiquei nessa vibe. Até chegar o momento em que eu precisava tomar decisões. Então foi uma aposta, mas uma aposta segura. E fiquei muito feliz por ela ter topado. Não só ela, como a família topou também. Porque envolvia muita coisa, dentre elas a vinda dela para o Rio”.


Ágatha conseguiu pavimentar mais uma vez sua estrada para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. Mas, apesar do foco estar em Tóquio, a trajetória trouxe muito aprendizado e glórias, como o título do Circuito Mundial, em 2018, além de prêmios individuais.

“A gente sempre falou em Olimpíada, desde o primeiro dia de parceria. Poderia ser uma coisa precipitada, mas eu nunca achei que fosse. Eu via o potencial que tínhamos juntas, apesar de não ter noção de como seria o nosso caminho. Era um sonho a longo prazo e fomos vivendo o dia a dia. O primeiro ano foi de conhecimento, de ver como uma cada uma iria agir, de muita dificuldade, mas com resultados muito legais. No segundo, solidificamos a parceria. A gente já se conhecia, os times já conheciam a gente. Seguimos tendo nossas dificuldades, mas a chave foi como enfrentamos isso. Não começamos muito bem, melhoramos na segunda metade do ano e achamos nosso caminho, encontramos soluções. Não desistimos em nenhum momento e fechamos o ano com o título do Circuito Mundial. A Duda ganhou prêmios lindos (melhor jogadora, melhor jogadora ofensiva e melhor ataque). Eu nunca tinha ganhado prêmio da FIVB e ganhei pela primeira vez (Ágatha foi eleita jogadora mais inspiradora e esportista do ano). Foi um final de ano muito feliz”.

Chegada a hora de decidir quem iria garantir seu lugar nos próximos Jogos Olímpicos, na ‘corrida’ brasileira, Ágatha usou de sua experiência para dar o tom na estratégia com a parceira mais jovem: paciência e foco na quadra, não no ranking.

“Tivemos dois anos de preparação e 2019 começou para valer. Era a primeira corrida da Duda e combinei com ela de não fazer conta. Deixamos isso para torcida, amigos, imprensa e só focamos em jogar bem. Se a gente jogasse bem, a conta seria consequência. E seguimos isso à risca. Em nenhum momento somamos ponto e isso foi muito importante. A paciência também foi primordial. A gente sempre pegava a derrota e tentava entender o motivo dela. Elas serviram de degrau. Se for ver, todos os momentos que fomos mal, conseguimos recuperar na competição seguinte. Sempre subindo”.
 

Diante de tantas incertezas neste momento de pandemia, Ágatha não tem nenhuma quando o assunto é seguir jogando. Ela já havia decidido que estaria em quadra em 2021 e não pensa ainda em aposentadoria e gravidez, apesar de estar nos planos futuros.

“O lado profissional e o pessoal, no meu caso, sempre andam juntos. Já tinha definido que jogaria em 2021, mesmo sem o adiamento da Olimpíada. Não tinha planos de gravidez. Não estava nos planos para 2021, mas penso para depois. Então não muda muita coisa na minha vida pessoal. Posso dizer que ganhei mais um ano de time. Eu não falo sobre aposentadoria, porque acho que temos que deixar acontecer. O atleta vive o momento. Não sei como estarei no futuro, então o fato hoje é que meu time estará por mais um ano junto”. 


E para estar preparada para quando tudo puder voltar ao normal ou ao novo normal, Ágatha tem contado com uma ajuda mais que especial nesta quarentena: o marido e preparador físico Renan. Mesmo em isolamento, os treinos não pararam.

“O fato de eu ser casada com o Renan, que é o preparador do nosso time, facilita muito a minha vida. Ele realmente é um cara muito empolgado e está nos mantendo muito ativos. É um grande parceiro e em nenhum momento deixamos de fazer atividade. Estamos sempre nos motivando, treinando e é muito bom ter ele ao meu lado. Estou mantendo meu peso, fazendo fisio, que me ajuda a prevenir lesões, e sendo produtiva durante essa quarentena”, finalizou.

Fotos: FIVB e arquivo pessoal

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