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'Tipo exportação'. Brasileiros fazem sucesso em ligas de vôlei de todo o mundo, até na Noruega

Maior celeiro de talento do vôlei mundial, país tem jogadores e treinadores fazendo sucesso nos maiores centros e também ajudando a difundir a modalidade em locais menos badalados

12/06/2020 11:00 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Vitor Macedo é levantador, treinador e faz muito sucesso na Noruega. Crédito: Firda
Tricampeão olímpico no masculino e bicampeão olímpico no feminino, o Brasil viu o número de praticantes de vôlei crescer nas últimas décadas. Escolinhas, projetos sociais e clubes formadores abriram caminho para os apaixonados tentarem uma carreira na modalidade. Chegar à Superliga Banco do Brasil é uma tarefa que poucos conseguem, mas com tantos talentos, o mercado tem se ampliado por lugares antes impensáveis.

No principal torneio do Brasil, na última temporada, foram 12 clubes em cada naipe. Cada um conta com uma média de 15 atletas, o que resulta em 180 homens e 180 mulheres na elite do vôlei brasileiro. Com isso, muitos atletas, sejam jovens ou experientes, buscam oportunidades na cada vez mais forte Superliga B, divisão de acesso ao torneio, ou no mercado internacional. Em 2019, a terceira divisão abriu ainda mais espaço, favorecendo, sobretudo, as categorias de base. 


“É o caminho. Precisamos de mais investimentos e iniciativas, porque temos material humano, tanto no masculino quanto no feminino, e precisamos dessas iniciativas. O Brasil está avançando, mas temos de ter investimento. É a única maneira de conseguirmos evoluir um patamar acima. O vôlei brasileiro é muito rico e, se forem dadas as condições, nos manteremos entre os melhores”, avaliou o técnico tricampeão olímpico José Roberto Guimarães, da Seleção Brasileira feminina e do São Paulo/Barueri.

Treinador da seleção brasileira masculina, Renan Dal Zotto brilhou na Itália enquanto jogador. Hoje, de acordo com ele, o mercado se expandiu e favoreceu aos talentos brasileiros, incluindo treinadores. “O mundo está cada vez mais globalizado. É normal que atletas joguem por outros países, assim como treinadores. É uma tendência mundial. Acredito que esse intercâmbio continuará”.

Historicamente, a Itália é um dos países que mais atrai jogadores e jogadoras estrangeiros. Mas outras ligas de expressão, como as de Turquia, França, Polônia, China e Japão, são cada vez mais procuradas. E até mesmo países menos tradicionais, como Israel, Noruega, Grécia e Chipre, fazem oferta aos brasileiros com o objetivo de qualificar suas disputas.


Foi justamente o que aconteceu com o levantador, e técnico, Vitor Macedo, na Noruega. Já são 24 países visitados, a disputa da CEV (campeonato europeu), vários prêmios de melhor jogador da Noruega, o privilégio de dividir a quadra com Anders Mol, fenômeno mundial do vôlei de praia e, mais recentemente, o cargo de técnico da seleção norueguesa juvenil feminina e o de auxiliar técnico do time principal.

“Eu nunca cheguei a jogar a Superliga, não sei se teria essa oportunidade. Sair do país me possibilitou jogar a CEV, me formar no Canadá, visitar tantos países e morar em dois que estão sempre no top 5 do mundo em qualidade de vida. E ser reconhecido no esporte ao qual dediquei minha vida inteira é uma coisa incrível. Claro que jogar uma Olimpíada é o sonho de qualquer atleta, mas também é possível realizar muitos sonhos sem ela. Agora estou realizando mais um, que é ser técnico da seleção norueguesa”, afirmou Vitor, que segue nas quadras.


Tudo começou há mais de 10 anos, em 2009, quando o levantador defendia o Botafogo (RJ). Mas não foram suas atuações nas quadras que possibilitaram a ida para a Noruega. Improvavelmente tudo aconteceu na Praia de Copacabana. 

“Em 2009 eu ainda estava no Botafogo, no meu último ano de juvenil, quando surgiu a oportunidade de dar treino de vôlei de praia para um grupo de noruegueses, que estavam no Rio. Acabei fazendo amizade com alguns dos jogadores e, depois que eles foram embora, o técnico do time entrou em contato comigo. Ele me chamou para ir jogar com eles na temporada seguinte. E eu fui. Nosso time foi campeão nacional da Liga Escolar e eu fui escolhido para o All Star Team. Assim que terminou a temporada, voltei para o Brasil e comecei a pesquisar universidades americanas e canadenses para estudar. Fechei com uma universidade, mas acabou não dando certo. E nessa mesma semana o Oslovolley entrou em contato comigo e me fez a proposta para voltar para a Noruega, mas dessa vez, para a capital”.

Antes de estar completamente estabelecido em solo norueguês, Vitor acabou retomando o plano de estudar no Canadá. E é claro que o vôlei fez parte disso tudo. “Depois da temporada em Oslo, fechei com uma universidade canadense, a Lethbridge College, para jogar e estudar. Joguei lá por dois anos e me transferi para o Camosun College, onde conquistei dois títulos regionais (Provincials), em 2014/15 e 2015/16, e um nacional, em 2015, quando ganhei o prêmio de melhor jogador. Assim que me formei, o Forde, outro clube da Noruega, me fez uma proposta. Minha ideia inicial era apenas atuar como técnico, mas as coisas foram dando certo e estou jogando até hoje”.


Atualmente, Vitor segue como levantador do Forde e técnico do time profissional feminino, onde já conquistou o título da Copa e da Liga norueguesa. Tanto sucesso fez ele ser reconhecido pela Confederação Norueguesa em fevereiro.

“Me convidaram para assumir a seleção norueguesa juvenil feminina. Representar uma nação sempre foi um sonho, mas eu não sabia que estaria tão próximo. Aceitei, fiz a primeira convocação e a primeira semana de treinos estava marcada para a Páscoa. Infelizmente, por causa da pandemia, foi tudo cancelado”, revelou, acrescentando mais uma conquista ao seu currículo.
 
“No início de abril, a entraram em contato comigo de novo e me informaram que contrataram o técnico holandês Eelco Beijl para assumir a seleção feminina adulta. Me convidaram para ser assistente técnico dele. Aceitei e fico honrado em trabalhar com o Eelco. Vai ser incrível e espero aprender muito. Ele já trabalhou com o americano Jamie Morison e o italiano Giovanni Guidetti, então não vejo a hora de recomeçar os treinamentos”. 


Se todas as experiências não fossem suficientes, neste ano, um “novo jogador”, ajudou o Forde a ser campeão novamente no masculino: Anders Mol. Bicampeão mundial de vôlei de praia, ao lado do parceiro Sorum, eleito o jogador mais ofensivo e melhor jogador da última temporada, ele decidiu manter a forma durante as férias, jogando na quadra, ao lado de Vitor.

“O Mol é uma pessoa sensacional, muito carismático. Ele sempre nos mandou mensagem, desejando boa sorte nos jogos ou dando os parabéns pelas vitórias. Sempre está por dentro do voleibol local e faz de tudo para ajudar a desenvolver o esporte no país. Dentro de quadra, ele é indiscutível. Fisicamente, tecnicamente, visão de jogo... É um atleta sensacional. Cresceu jogando praia e quadra, o que ajudou muito no desenvolvimento. Sempre que ele está fora da temporada da praia, se estiver sem lesão, ele joga na quadra para manter a forma. E isso é incrível para a gente. Faz com que ele seja muito acessível para todos os atletas mais jovens do país. É uma oportunidade única que eles têm de assistir o melhor jogador de praia do mundo em ação”, disse Vitor, muito elogiado pelo astro da praia.

“Jogar ao lado do Vitor e ter a oportunidade de conhecê-lo melhor foi sensacional. Ele é um grande levantador, tem uma mentalidade vencedora e traz muita energia positiva para a quadra. Foi um prazer imenso jogar com ele nessa temporada. Não tive muita folga e demorou um pouco para eu conseguir fazer a transição. Mas depois de algumas semanas, senti que já estava mais adaptado ao jogo. Eu sentia falta de fazer parte de uma equipe maior. É realmente muito diferente, com mais atletas do seu lado na quadra, sempre te apoiando. Ser campeão da CupFinal e compartilhar esse momento com os meninos foi incrível. Nós treinamos e trabalhamos muito e merecemos esse título”, comemorou Anders Mol.


Com a carreira consolidada em um país que não possui uma grande tradição no voleibol, Vitor não se arrepende de nenhuma escolha. E segue sonhando em alçar voos maiores depois que a pandemia passar.

“Quando tive a oportunidade de vir pra Noruega, talvez não fosse a oportunidade ideal, mas mudou completamente minha vida. Hoje sou formado, tive a oportunidade de jogar a liga nórdica, o CEV Challenge Cup e a Champions, contra alguns dos grandes times da Europa e contra atletas que nunca me imaginei. O Brasil exporta talentos como ninguém, e temos que tirar proveito disso. Nossa temporada foi paralisada desde o dia 11 de março. Mesmo com o cancelamento, a Federação publicou o All Star Team e fui escolhido o melhor levantador. Agora, estamos começando a voltar aos treinos, de forma controlada, respeitando o distanciamento e as diretrizes do governo. Ainda não sei se teremos competições com a seleção em 2020, mas estamos nos preparando de outras formas”.

Fotos: CBV, Firda e Arquivo pessoal

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