Vôlei Praia

Ana Patricia aplica técnicas da pescaria para começar temporada defendendo título brasileiro

Atual campeã do Circuito Open, ao lado de Rebecca, aproveitou quarentena para retomar atividade nos rios e represas e trouxe para as areias ensinamentos como concentração e paciência

18/09/2020 14:51 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Ana Patricia retomou hábito de pescar durante a quarentena e levará ensinamentos para as arenas. Foto: Arquivo Pessoal
A quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus fez com que muita gente passasse a realizar atividades voltadas para a sanidade mental. Com Ana Patricia não foi diferente. Surpreendida com a paralisação das atividades esportivas repentinamente, a campeã brasileira de vôlei de praia buscou refúgio em sua terra natal, em Espinosa, cidadezinha de pouco mais de 30 mil habitantes, em Minas Gerais. E lá retomou uma atividade de lazer da infância: a pescaria, que, além de entreter, desenvolveu paciência, concentração e até estratégia. Agora, espera colocar todo ‘treinamento nas águas’ em prática nas areias com a retomada do Circuito Brasileiro Open de vôlei de praia.

A pescaria sempre esteve na vida de Ana Patricia. Um hábito que passou de pai para a filha, mas ficou ‘adormecido’ em virtude da vida atribulada de atleta profissional. “Meu pai sempre gostou muito de pesca, viajava aos finais de semana com os amigos. Eu nunca cheguei a ir, mas conversávamos muito em casa e ele me passava umas dicas, para iniciante mesmo, coisa raiz, varinha de bambu. Não era como ele, que já pescava de molinete. E foi um prazer que carreguei comigo sempre. Quando tinha uma oportunidade, tentava pescar alguma coisa. Mas aí entrou a rotina, começaram as competições, me tornei atleta e ficou uma prática distante por conta dos compromissos e viagens”, revelou Ana Patricia.


Em um momento de incerteza e tensão, quando teve sua vida completamente parada pelo coronavírus, a campeã buscou o conforto e o amor da família, em Minas Gerais. Saiu de Fortaleza para Espinosa e encontrou mais do que procurava.

“Nesta quarentena realmente tive a oportunidade de retomar a pescaria. Voltei para a casa logo no início da quarentena, para perto da minha família. E lá resgatei esse hábito maravilhoso. Meu pai tem um tanque e perto de nosso sítio tem um açude. Comecei a pesquisar material, fiz um curso para aprender mais sobre pesca esportiva e pronto. Quando voltei para Fortaleza, dei continuidade. Gosto muito e praticamente todo final de semana vou para algum lugar pescar. Claro que respeitando todas as normas de segurança e buscando ficar a mais afastada possível de tudo. Sei que é preciso ter cuidado e sempre levo isso em consideração”, explicou Ana Patricia, reafirmando que pratica pesca esportiva. “Pesco e solto sempre”.


Com a retomada do ritmo de treinos, Ana Patricia percebeu que poderia conseguir mais benefícios com a pescaria do que a saúde da mente. Ela tem adaptado muitos dos aprendizados dentro de quadra e espera que já surta efeito na primeira etapa do Circuito Brasileiro Open, que está sendo disputado no Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema, neste final de semana.

“Sem dúvida dá para levar muita coisa da pescaria para o vôlei. É uma atividade de muita concentração, paciência e de muita estratégia. Você pode ter o melhor material do mundo, mas se não souber qual o peixe que está indo pegar, quais seus hábitos, se fica mais no fundo, se é mais agressivo, se é de superfície, complica. Acho que tem tudo a ver com o vôlei, já que precisamos ter muita concentração, paciência e, principalmente, estratégia. Temos que estudar muito para sempre ir para os jogos com uma tática bem definida e nos concentrarmos para executar tudo. Uma coisa está interligada à outra, com certeza”.


E a disputa de um campeonato depois de tanto tempo longe das arenas trará um gostinho especial, mas também dificuldades fora do comum. As atletas precisarão conter a ansiedade, encontrarão um cenário de isolamento, na bolha de Saquarema, e terão que manter o nível de concentração alto. Ponto para a pescaria, que ajudará Ana Patricia.

“Ter concentração nessa etapa fará muita diferença, principalmente por conta de como tudo aconteceu. Tivemos que parar repentinamente com nossas atividades, com nosso trabalho. Sempre nos dedicamos muito, todos os dias, e isso foi cortado do dia para a noite com a pandemia. É uma etapa na qual estamos carregando muitos sentimentos. Estou bem ansiosa para ver como tudo vai ser e nessas horas a concentração para executar tudo o que precisa ser feito faz muita diferença”.


Em Saquarema, Ana Patricia começará a defesa do título de campeã brasileira. Ao lado de Rebecca, ela está de olho no novo ano pré-olímpico que ‘ganharam’ com a pandemia. Agora, o sonho de uma conquista olímpica pode ser ainda mais bem planejado. Fora de quadra, ela já está realizando outro sonho. Dela e de sua família.

“Sempre foi um sonho da minha mãe ter um sítio grande e agora conseguimos construir as coisas. Meu sonho sempre foi ter uma casa que fosse um mini complexo esportivo. Adoro esportes, adoro futebol também e sempre quis ter um campinho. A construção da quadra de areia é um sonho desde que comecei a jogar. Ia para casa e não tinha um ambiente onde pudesse dar continuidade aos meus trabalhos. Não tinha essa possibilidade nos períodos de descanso e férias. Agora, construí um lugar para trabalhar e brincar com meus amigos e fiquei feliz demais com isso”, finalizou.

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